Insights de um Agile Coach

Postado por DBC Company Em: Gestão de Pessoas, Metodologia Ágil, Pessoas, Tecnologia Sem comentarios

Como todo agente de mudança, uma pessoa que começa numa nova empresa como agile coach possui diversas dúvidas que normalmente são: vou ter autonomia e empoderamento suficientes para atuação? Será que minhas atividades vão ser de impacto? Quais serão minhas responsabilidades?

Indo trabalhar numa empresa como a DBC Company, um mínimo já se espera por estar no Ranking das Melhores Empresas para Trabalhar do Great Place to Work. Então contarei alguns e insights que achei relevantes no primeiro mês de trabalho de julho a agosto de 2019.

ONBOARDING

Primeiro dia de trabalho. Era 8h da manhã e na mesa do auditório meu onboarding já estava preparado. Folha impressa com instruções gerais da empresa e todos acessos básicos necessários. Crachá provisório também. Além de um caneca, caneta, adesivos, caderno de anotações, uma camiseta da DBC de tecido bom, e um baralho de planning poker super legal!

Kit de Onboarding que todos novos colaboradores recebem.

E acreditem, o notebook já estava pronto para uso. E isso não foi só para mim. O mesmo acontece para todos que vi até agora. Tudo funcionando já no primeiro dia! Não é incrível?

Em torno das 9h da manhã, meu gestor estava me esperando para boas vindas. Conversamos sobre o trabalho dos próximos meses e expectativas de ambas as partes. Desde o começo meu gestor já me passou liberdade de atuação e autogerenciamento. E uma coisa que entendi no mesmo momento: empoderamento, liberdade de atuação e autogerenciamento demanda responsabilidade por resultados. Isso vale para qualquer papel, em qualquer empresa. É algo que se vem falando bastante no mundo ágil, principalmente sobre o termo “accountability”.

VEJA A MATRIZ A SEGUIR QUE DESENVOLVI PARA EXPLICAR ESSE RACIOCÍNIO:

Ao final da manhã, meu gestor me convidou para sairmos para almoçar. Pode parecer algo simples, porém isso contribui na construção de uma relação de confiança.

Uma dica para quem é um agente de mudanças e busca empoderamento: não espere por empoderamento para então demonstrar responsabilidade por resultados. Faça o inverso. Mostre primeiramente responsabilidade por resultados, que o empoderamento será dado mais cedo ou mais tarde.

ASSESSMENTS “FRIOS” VS “QUENTES”

Uma das primeiras demandas que tive era realizar assessments de alguns times ágeis alocados em clientes. Questionei qual era o tipo de assessment esperado? Assessment “quente” ou “frio”? Por sorte era o assessment “quente”.

Para mim, não há melhor assessment ágil de time que participar de uma retrospectiva. Isso é o que venho chamando de “assessment quente”. Não apenas participar da reunião de retrospectiva, mas também ter conversas informais com o time durante o momento de trabalho e também em intervalos. É entender itens que são literalmente impossíveis de serem entendidos num “assessment frio”, ou seja, realizar um questionário/formulário/excel com todos do time.

Dica para agilistas: Torne o primeiro valor do Manifesto Ágil “Indivíduos e interações mais que processos e ferramentas” um mantra diário. Busque isso ao aplicar assessments, ao se comunicar com as pessoas, ao buscar melhorias no processo de trabalho.

ATIVIDADES OPERACIONAIS E DE INOVAÇÃO

Divido minhas atividades em duas categorias: operação e inovação. Pareto 80/20 aplica-se aqui. Em média, 80% atividades de operação, 20% de inovação.

Atividades de operação acontecem quando estou acompanhando um time, numa reunião com um cliente, numa conversa sobre o processo ágil, prestando serviços de treinamento, mentoria, facilitação e coaching. É realizar o serviço, é onde a melhoria realmente acontece.

Atividades de inovação é quando estou refletindo sobre um problema ou uma oportunidade, ou então pesquisando e desenvolvendo algo novo. Por exemplo… Quais métricas seriam interessantes para avaliar se um time é efetivo e que isso seja aceito e útil para todos? Ou, como fomentar a troca de conhecimento ágil na empresa?

Essas atividades de inovação acontecem no DBC Ágil. Uma equipe pequena e multidisciplinar com um gestor que patrocina agilidade e inovação, duas pessoas designers e um agile coach (eu). Fazemos uma reunião semanal, a weekly, para alinharmos e sincronizarmos nossas atividades. Nosso objetivo é inovar constantemente os serviços da empresa. Resultado disso é o DBC Full Experience, Guia de Métodos Ágeis, além de muita coisa agregada à empresa nesses últimos anos. Veja mais em www.dbccompany.com.br/dbc-agil.

Dica para agilistas: realize suas atividades básicas de operação, e reserve momentos para inovação. Torne as atividades de inovação inerentes ao trabalho do dia a dia.

SCRUM VS ÁGIL

Quando falam em Scrum, o ideal é falar também sobre ágil. Fechei o primeiro pacote de treinamentos ágeis com um cliente. Inicialmente, o cliente pediu um treinamento de Scrum e alguém comentou que seria interessante ir além do Scrum. Aproveitei a oportunidade e fiz uma proposta de treinamentos ágeis, que estão no DBC Full Experience.

Na semana seguinte, fiz uma reunião com o cliente para alinharmos expectativas dos treinamentos e entender melhor a demanda. No final da reunião, tudo certo! Treinamentos de fundamentos de métodos ágeis, Scrum, Lean, Kanban, UX, Inception, Engenharia Ágil, Testes Ágeis e DevOps.

Dica para agilistas. Scrum pode ser o começo para estabelecer a agilidade em times, mas nunca será suficiente nem para times nem para a organização. Busque sempre métodos ágeis de uma forma ampla, não apenas Scrum.

PRECISÃO EMPÁTICA

Coaching de times ágeis é um tipo de atividade operacional, mas não significa realizá-la de forma automática. Busco estabelecer empatia com o time e ter a confiança deles antes de fazer qualquer observação ou sugerir qualquer mudança. Tentar sempre se colocar no lugar de cada indivíduo do time, como a psicologia chama de precisão empática, compreender o que as pessoas pensam e sentem.

Essa é uma estratégia do que chamo de “Caminho da Menor Resistência” no meu livro Positive Psychology for Agile Coaching (dionatanmoura.com/agile-coaching/). Um agile coach, ao meu ver, não deve gerar resistências, mas sim ajudar com que as resistências sejam dissolvidas, sempre numa forma positiva e pensando em soluções.

Dica para agentes de mudanças: Nunca empurre mudanças. Deixe que o time puxe as mudanças. Isso faz com que o time se torne empoderado e responsável por suas próprias melhorias.

FORMAÇÃO DE TIMES ÁGEIS COM SPRINTS DE UMA SEMANA

Acompanhei um time novo alocado em cliente desde a primeira sprint. Quando um time inicia, na verdade ele é um grupo de pessoas com expectativas de ser um time. O que deve ser feito é pensar em como fazer com que aquele grupo se torne um time efetivo. Nada melhor que fazer retrospectivas para isso.

As sprints são de duas semanas nesse cliente. O que sugeri desde a primeira reunião foi de fazermos sprints de uma semana, ao menos durante o primeiro mês de trabalho. Expliquei os benefícios e o time topou, inclusive o cliente. Sprints de uma semana fazem com que o time possa refletir e adaptar o processo de trabalho.

Ao final do primeiro mês, o time já estava entregando o primeiro MVP do produto. O feedback do cliente, que era o PO do time, foi que esse formato de trabalho com equipe dedicada é muito melhor do que trabalhar com pessoas compartilhadas em projeto. O cliente então entendeu os benefícios de ter um time ágil dedicado e focado nas suas entregas prioritárias.

 Dicas para agentes de mudança: proponha iterações ou sprints mais rápidas no começo da formação de um time. Torne isso um experimento de um mês pelo menos. A melhoria contínua do time acontecerá de uma forma rápida.

COMUNIDADE DE PRÁTICA DE AGILIDADE

Escalar ágil na empresa não é fácil. E tenho certeza que não é através de métodos, processos, papés ou ferramentas. O ágil escala através das pessoas. Nada melhor que uma Comunidade de Prática (CoP) para disseminar agilidade e boas práticas na organização. Todos são bem-vindos. Existem as pessoas protagonistas que são agilistas, scrum masters, líderes; e as pessoas que têm interesse em aprender agilidade ou querem fazer parte de algo maior na empresa.

A Comunidade de Prática de Agilidade alinha também os serviços em clientes. Quem já ficou (ou está) alocado num cliente, sabe que a cultura do cliente pode mudar o serviço caso não tenha um apoio especializado. Então um dos tópicos mais discutidos é como realizar o serviço de agilidade de uma forma que o cliente patrocine as mudanças.

Os encontros da Meetup Agile Open Space POA (https://www.meetup.com/Agile-Open-Space-Porto-Alegre/) também ajudam a criar a comunidade ágil na empresa. Os encontros são abertos ao público. Então pessoas de fora também contribuem com suas experiências e conhecimento participando dos workshops.

Meetup do Agile Open Space POA sobre como construir times efetivos. Todos colaborando na construção do conhecimento.

EMPRESA DE SERVIÇOS GPTW?

Como uma empresa que oferece serviços, incluindo outsourcing, pode ser GTPW? Isso é algo que comecei a me questionar quando vi diversos prêmios GPTW no auditório da DBC Company. E mais, não é só  uma das Melhores Empresas para Trabalhar, é uma das Melhores Empresas para Trabalhar de TI do Brasil!

Então como os funcionários de uma empresa podem avaliar a própria empresa como GPTW, se a maioria estão em clientes? Pelo que eu observei até agora, os gestores são realmente líderes. Pessoas abertas, flexíveis, proativas e presentes. Muito dos times da DBC que já conheci, são bastante integrados. Desde o processo de seleção buscam pessoas flexíveis e adaptativas. E são duas características intrínsecas da agilidade.

Algo que me chamou a atenção é que a DBC Company fornece café e todo material necessário para os times que estão alocados em clientes (alguns não proveem café). Então não é necessário fazer “vaquinha” para juntar dinheiro para o café. E é café de marca boa. Quem gosta de café sabe, café bom é importante.

As festas da empresa quem banca é a empresa. Participei da Festa Julina recentemente. O resultado disso é amizade, integração e colaboração dos colaboradores da empresa. Essa é a mensagem que os sócios e diretores repassam. E o mais incrível disso é que os sócios e diretores estavam na festa também, conversando e socializando com todos de uma forma receptiva e amigável.

QUE VENHAM MAIS INSIGHTS

O primeiro mês de trabalho superou minhas expectativas e gerou diversos insights sobre o que é trabalhar como agile coach numa empresa incrível de trabalhar. Espero poder contribuir o máximo que eu puder através da agilidade com os times e clientes que fazem parte da DBC Company. E que venham mais insights!

Por Dionatan Moura, Agile Coach da DBC.

dionatanmoura.com

 

 

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