Não confunda BI com AI, por favor. Que tal misturar?

Postado por DBC Company Em: Capacitação, Tecnologia Sem comentarios

Por vezes as nomenclaturas do mundo da tecnologia podem gerar confusão e o mesmo acontece com as abreviações. Pensar que BI e AI representam a mesma coisa tem se tornado um erro comum, especialmente pela característica de ambos de lidarem com grandes quantidades de dados. Mas o fato simples e direto é que “Business Inteligence” não é a mesma coisa que “Artificial Inteligence”.

Para estabelecer um limiar entre os conceitos, Business Inteligence é um processo composto por um conjunto de técnicas de organização, coleta, análise, monitoramento e compartilhamento de dados com o objetivo de gerar um conjunto de informações para a gestão de negócios. Por outro lado, Artificial Inteligence, como explicado por Peter Norvig e Stuart Russel*, é uma ciência que abrange uma grande quantidade de subcampos, desde áreas de uso geral, como aprendizado e percepção, até tarefas específicas como demonstração de teoremas matemáticos. Para simplificar, de forma mais sucinta, AI é “a arte de criar máquinas que executam funções que exigem inteligência quando executadas por pessoas”, como resumiu o inventor e futurista Raymond Kurzeweil.

Apesar de distintos, BI e AI são complementares e tendem a caminhar cada vez mais próximos, sendo ambos fundamentais para os processos decisórios. Recentemente, Elif Tutuk, diretora Sênior e vice-presidente de pesquisa a Qlik Research, uma das maiores empresas de BI do mundo, declarou que o setor pode ser dividido em três gerações: sistemas passivos, democratização de dados para governança e BI auxiliado por AI.

O primeiro período mencionado pela pesquisadora nos remete há 20 anos atrás, quando os dados estavam concentrados em setores de TI e não existiam processos de coleta contínua. Obviamente o compartilhamento da informação era comprometido. Posteriormente, o segundo período já pode ser considerado como a ‘era moderna’ do BI, no qual os setores de governança têm pleno acesso aos dados gerados pelas companhias e podem enriquecer seus processos decisórios com informações coletadas para diferentes cenários de forma contínua. Uma importante característica dessa fase é a capacidade de adaptação da coleta de informações para novos insights e novos produtos. Por fim, a terceira geração do BI está recebendo um poderoso aliado: inteligência artificial.

Utilizar AI com BI não é uma forma de substituir o BI, mas sim de tonificá-lo e aumentar sua qualidade informativa para, por fim, aumentar a compreensão humana sobre o que está sendo avaliado. Esse é um processo conhecido como ‘Augmented intelligence’ (ou ‘intelligence augmentation’) que basicamente consiste em complementar a cognição de pessoas sobre determinado tema. Em outras palavras, ao passo que o BI extrai e organiza grandes quantidades de dados, processos de inteligência artificial processam, compreendem e correlacionam essas informações em busca de novas perspectivas e insights. O resultado disso é um leque mais amplo de informação detalhada, relacionada, inferida e disponível para as áreas de governança.

Diferentemente de outros processos que utilizam AI e “diminuem empregos”, a terceira geração do BI é o oposto. Incluir AI nos processos de BI exige a inclusão de pessoas capacitadas para preparar os dados e proporcionar ao sistema a capacidade de aprendizado de forma completa, e não apenas de pequenos cenários do negócio. Somente dessa forma será possível extrair o real potencial dessa nova fase do BI, pois ao passo que os seres humanos têm a capacidade de intuir por conhecerem o ambiente e as peculiaridades de onde estão inseridos, os sistemas de AI precisam ser estimulados a desenvolver essa capacidade para aprender pelos ‘inputs’ dos usuários e adaptarem seus algoritmos de acordo para extrair a informação desejada.

Além da necessidade de profissionais para preparar os dados e as formas de interpretação, a terceira fase do BI necessitará que o usuário final também tenha um perfil diferente, pois ele deverá estar preparado para novas formas de interpretação, novas expectativas de tipos de resultados e o que esses novos insights podem trazer para as companhias e mercados em que atuam.

*Peter Norvig e Stuart Russel são autores de um dos principais livros sobre inteligência artificial: Artificial Intelligence: A Modern Approach.

Por Giovanni Caprio, Desenvolvedor de Sistemas da DBC.

giovanni.neto@dbccompany.com.br

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