Será que o BI está morrendo?

Postado por DBC Company Em: Desenvolvimento, Tecnologia Sem comentarios

No artigo anterior falamos sobre “O BI ao longo da história” onde apresentamos conceitos e sua evolução até os dias atuais. Porém, com o ritmo frenético das mudanças na área da tecnologia e o surgimento de novos termos a cada lançamento das grandes empresas, uma verdadeira sopa de letrinhas acaba confundindo até mesmo os profissionais que atuam nessa área. E isso gera muitos questionamentos, onde o mais comum é: Será que o BI está morrendo?

Respondendo de maneira bem direta, eu digo que NÃO, o BI não está morrendo. O que está acontecendo é que conceitos e termos mais “atualizados” estão ganhando destaque e direcionando os estudos dos profissionais da área de dados. É muito comum encontrar artigos e mídia especializada colocando o Cientista de Dados como a profissão do futuro e incentivando a coleta desenfreada de dados, aplicando conceitos de Big Data, Data Science e IA. Porém a maioria das empresas não faz nem o básico, ou seja, não possui uma estrutura adequada de BI.

Segundo Gareth Herschel, VP de Pesquisas do Gartner, muitas organizações estão se distraindo com as “incríveis possibilidades proporcionadas por IA” sem reconhecer que os conceitos básicos de Analytics e BI não apenas agregam enorme valor, mas também são um componente necessário de uma estratégia de Analytics que vai dos relatórios para o inquestionável potencial da IA.

Se ampliarmos a visão e tratarmos todos esses conceitos por um termo mais abrangente, como análise de dados vamos perceber que cada um tem seu papel dentro das organizações e que precisam ser somados e não substituídos. Assim, o que entendemos por BI se torna uma peça fundamental na capacidade de analisar os dados da organização. Seguindo nessa linha encontramos a classificação promovida pelo instituto INFORMS (The Institute for Operations Research and the Management Sciences), onde temos três tipos de análise de dados: descritiva, preditiva e prescritiva, ficando ainda mais clara a importância dos diversos conceitos dentro da análise de dados.

A figura 1 apresenta uma visão gráfica dos três níveis de análise de dados, representando-os de maneira independente, mas como parte de um fluxo, onde cada nível leva ao outro. Assim, voltamos a questão de o BI ainda permanecer “vivo” e como principal “porta de entrada” das empresas ao mundo da análise de dados. Diante deste cenário, podemos classificar o BI como análise descritiva, onde trabalhamos com os dados dos fatos que já ocorreram e que estão acontecendo (real-time). Aproveitando a ideia de classificar os termos, podemos falar do Business Analytics (BA), que também é uma evolução e não um substituto do BI, tendo como principal diferença o fato de trabalhar com “previsões” (dados futuros), que ainda não ocorreram, ficando assim classificado como análise preditiva.

Mas se o BI não “está morto”, por que não é mais o termo da moda e é não tratado como profissão do futuro. Arrisco dizer que a grande responsável por esse movimento é a própria indústria de ferramentas e sistemas para análises de dados. A necessidade de novidades sempre movimentou todos os setores da indústria e com a TI não é diferente. Porém, isso não quer dizer que as novidades não sejam importantes, muito pelo contrário, com o crescente volume de dados que são gerados diariamente seria impossível fazer as análises adequadas com as ferramentas tradicionais de BI.

Segundo a publicação Wisdom of Crowds Business Intelligence Market Study de 2018 pequenas organizações com até 100 funcionários tiveram a maior taxa de penetração ou adoção de BI no ano de 2018, apontando que os principais fatores para esta alta taxa de adoção entre as pequenas empresas está a necessidade de análises avançadas para funcionar e escalar o negócio, funcionários qualificados e com histórico de utilização diária das ferramentas de análise sendo contratados para dimensionar negócios de alto crescimento e menos barreiras para adoção em comparação com empresas maiores.

O cenário apresentado pelo estudo de 2018 deixa claro que as organizações precisam compreender que não basta fazer corretamente a coleta, tratamento e apresentação dos dados, se não houver um forte trabalho para implantação de uma cultura data-driven, que se sobreponha ao feeling e ao “achismo” dos gestores, garantindo que as informações sejam utilizadas de forma prática e consistente. Caso contrário não há ferramenta ou tecnologia que garanta o sucesso no apoio a tomada de decisões, nem mesmo BI.

Ficou curioso sobre o tema, ainda não trabalha com análise de dados e BI, mas quer muito ingressar nessa área? No próximo artigo vamos te mostrar como construir sua carreira no BI.

Por Uiliam Venerio, Analista BI na DBC Company

uiliam.venerio@dbccompany.com.br

 

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