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FinOps na Prática: Como Resolver o Desperdício de Custos em Cloud

Escrito por Daniel de Oliveira Santos

A computação em nuvem mudou profundamente a forma como as empresas estruturam suas operações. Hoje, é possível escalar sistemas, armazenar dados e disponibilizar serviços com rapidez e flexibilidade, sem a necessidade de investir, logo no início, em infraestrutura física robusta. Essa agilidade trouxe avanços importantes para times de tecnologia e para o negócio como um todo.

Ao mesmo tempo, essa facilidade também trouxe um desafio que nem sempre recebe a atenção necessária: o controle dos custos. Em ambientes de nuvem, recursos podem ser criados em poucos minutos, mas também podem permanecer ativos por tempo demais, ser dimensionados acima da necessidade real ou simplesmente ser esquecidos ao longo da operação. O resultado é que pequenos desperdícios, quando somados, podem gerar impactos significativos na fatura mensal.

É justamente nesse contexto que o FinOps ganha relevância. Mais do que uma prática de redução de gastos, ele propõe uma forma mais consciente de usar a nuvem, aproximando tecnologia, finanças e negócio em torno de decisões mais bem fundamentadas. Ao longo deste texto, veremos como o FinOps ajuda a identificar desperdícios, organizar custos e criar uma gestão mais eficiente dos recursos em cloud.

 

O Tamanho do Problema: Por que a Conta da Nuvem Só Aumenta?

Antes da computação em nuvem, aumentar a infraestrutura de uma empresa não era algo tão simples. Era necessário comprar servidores, passar por aprovações internas e aguardar a instalação dos equipamentos. Todo esse processo exigia tempo e planejamento.

Com a chegada da nuvem, tudo ficou muito mais rápido. Hoje é possível criar novos recursos em poucos minutos para atender uma necessidade do negócio ou realizar testes em um sistema.

Essa facilidade trouxe muitos benefícios, mas também criou um desafio: o controle dos gastos.

Muitas vezes, recursos são criados para atender uma demanda específica e acabam permanecendo ativos mesmo depois que deixam de ser necessários. Em outros casos, a empresa contrata mais capacidade do que realmente utiliza no dia a dia.

Algumas situações são bastante comuns:

  • Ambientes de teste que continuam ligados durante noites e finais de semana, mesmo sem ninguém utilizando.
  • Servidores configurados com muito mais capacidade do que a aplicação realmente precisa.
  • Recursos esquecidos que continuam gerando cobrança mesmo sem estarem sendo utilizados.

Quando esses pequenos desperdícios se acumulam, o impacto na conta pode ser significativo.

É justamente nesse ponto que o FinOps se torna importante. Seu principal objetivo é ajudar as empresas a entenderem melhor seus gastos e utilizarem os recursos da nuvem de forma mais eficiente, evitando desperdícios sem comprometer o funcionamento dos sistemas.

Os Três Pilares do FinOps: Informar, Otimizar e Operar

Muitas pessoas acreditam que FinOps significa apenas reduzir custos, mas na prática o conceito vai muito além disso.

O objetivo não é simplesmente cortar gastos, e sim entender onde o dinheiro está sendo investido e garantir que os recursos da nuvem estejam sendo utilizados da melhor forma possível. Para ajudar nesse processo, o FinOps é baseado em três pilares principais: Informar, Otimizar e Operar. Juntos, eles ajudam as empresas a acompanhar seus gastos, identificar oportunidades de melhoria e criar uma cultura de uso mais consciente dos recursos em nuvem. Vamos entender o papel de cada um deles:

 

1. Informar

O primeiro passo é entender exatamente como o dinheiro está sendo gasto na nuvem. Afinal, fica muito difícil reduzir custos ou encontrar desperdícios quando não existe uma visão clara dos recursos que estão sendo utilizados.

Nesta etapa, a empresa busca identificar quais equipes, projetos ou sistemas estão gerando os gastos. Para isso, uma das práticas mais importantes é a utilização de tags, que funcionam como etiquetas de identificação para os recursos criados na nuvem. Com essas informações organizadas, fica muito mais fácil acompanhar os custos e tomar decisões com base em dados reais.

 

2. Otimizar

Depois de entender para onde os recursos estão indo, chega o momento de buscar oportunidades de melhoria. O objetivo desta etapa é identificar o que pode ser ajustado para evitar desperdícios e tornar o uso da nuvem mais eficiente.

Isso pode incluir desligar recursos que não estão sendo utilizados, revisar configurações que estejam acima da necessidade real ou aproveitar modelos de contratação mais vantajosos oferecidos pelos provedores de nuvem. Pequenos ajustes podem gerar uma economia significativa ao longo do tempo.

 

3. Operar

A última etapa consiste em transformar essas boas práticas em parte da rotina da empresa. Não se trata de uma ação pontual, mas de um acompanhamento contínuo dos gastos e da utilização dos recursos.

Com o tempo, as equipes passam a considerar os impactos financeiros das suas decisões desde o início, evitando desperdícios antes mesmo que eles aconteçam. Dessa forma, a empresa consegue manter um equilíbrio entre desempenho, crescimento e controle de custos.

Plano de Ação Imediato: 5 Passos para cortar gastos

Se seus gastos com nuvem estão aumentando, existem algumas ações simples que podem ajudar a identificar desperdícios e melhorar o controle dos custos. A seguir, confira algumas práticas que podem ser aplicadas de forma relativamente rápida e que costumam gerar bons resultados:

Passo 1: Organize os recursos com Tags

Uma das primeiras medidas é criar um padrão de identificação para os recursos da nuvem. Isso facilita entender quem é responsável por cada recurso, qual ambiente está sendo utilizado e a qual projeto aquele custo está relacionado.

Algumas informações que costumam ser úteis são:

  • owner: responsável pelo recurso.
  • ambiente: produção, homologação, desenvolvimento ou teste.
  • projeto ou centro-de-custo: área ou projeto ao qual o recurso pertence.

Passo 2: Desligue ambientes quando não estiverem em uso

Ambientes de desenvolvimento e testes normalmente não precisam ficar ativos durante todo o dia.  Quando permanecem ligados durante noites, finais de semana e feriados, acabam gerando custos desnecessários.

Sempre que possível, automatizar o desligamento desses ambientes fora do horário de uso pode trazer uma redução considerável nos gastos ao longo do mês.

Passo 3: Remova recursos que não estão sendo utilizados

Com o passar do tempo, é comum que alguns recursos permaneçam ativos mesmo após deixarem de ser necessários. Discos de armazenamento, endereços de rede e outros componentes podem continuar gerando cobrança sem entregar nenhum benefício para a operação.

Por isso, realizar revisões periódicas ajuda a identificar e remover recursos que ficaram esquecidos no ambiente.

Passo 4: Ajuste os recursos à necessidade real

Nem sempre uma aplicação precisa de toda a capacidade que foi contratada inicialmente. Em muitos casos, servidores operam utilizando apenas uma pequena parte dos recursos disponíveis.

Acompanhar indicadores de uso permite identificar situações em que é possível reduzir a capacidade contratada sem afetar o funcionamento da aplicação, diminuindo os custos de forma segura.

Passo 5: Avalie opções de contratação com desconto

Para sistemas que permanecem em funcionamento continuamente, vale a pena analisar os modelos de contratação oferecidos pelos provedores de nuvem.

Dependendo do cenário, assumir um compromisso de uso por um período maior pode gerar descontos importantes em comparação ao modelo de pagamento sob demanda, contribuindo para uma melhor previsibilidade dos custos.

 

Métricas que Importam: Medindo o Impacto Financeiro e Operacional

Para provar que o trabalho de FinOps está gerando valor real, não basta apenas dizer que a conta diminuiu. É preciso conectar os gastos de tecnologia com os resultados do negócio através de indicadores de desempenho (KPIs) claros.

Se a conta de nuvem subiu 20%, mas o número de vendas na plataforma aumentou 100%, a nuvem não ficou cara – ela se tornou mais eficiente. Abaixo estão as principais métricas que ajudam a contar essa história de forma simples para os diretores e gerentes:

Ao acompanhar o “Custo por Transação”, por exemplo, o time consegue demonstrar que as otimizações no código e na arquitetura do software permitiram atender muito mais clientes gastando a mesma quantia em infraestrutura. Isso demonstra a maturidade da operação.

 

Conclusão: FinOps é sobre Eficiência, não sobre Proibições

Quando o conceito de FinOps começa a ser debatido nas organizações, é comum que surja um receio natural por parte dos times de desenvolvimento de que a prática se transforme em um freio para a inovação ou em uma barreira burocrática cheia de travas econômicas. No entanto, como vimos, o verdadeiro FinOps atua no sentido completamente oposto. Seu principal objetivo não é impedir a engenharia de gastar, mas sim garantir que cada investimento realizado na nuvem traga o máximo de retorno, velocidade e estabilidade para os objetivos estratégicos da organização.

O desperdício em nuvem não decorre de uma má intenção dos times técnicos, mas sim da ausência de processos claros de governança e visibilidade financeira em tempo real. Ambientes de testes esquecidos acesos, falta de tags organizacionais e servidores superdimensionados são falhas normais de processos que, quando somadas no balanço final, corroem a lucratividade e a saúde financeira das operações digitais.

Ao trazer visibilidade completa sobre os gastos, automatizar ações básicas de controle, ajustar recursos à demanda real e implementar uma cultura de responsabilidade compartilhada, o FinOps remove a névoa que costuma cobrir os custos de TI. Mais do que economizar dinheiro de forma pontual, estruturar uma operação baseada em FinOps estabelece um ecossistema sustentável onde engenharia, finanças e negócios caminham alinhados. Dessa forma, a empresa adquire a maturidade necessária para continuar inovando com agilidade, criando novas soluções tecnológicas e crescendo no mercado de maneira escalável, previsível e financeiramente saudável.

Foto de Daniel de Oliveira Santos

Daniel de Oliveira Santos

Analista de Qualidade de Software

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