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Automação sem Governança: o risco de crescer processos sem controle

Escrito por Kariny Rodrigues Fernandes

Automatizar um processo pode parecer uma decisão simples: identificar uma tarefa repetitiva, escolher uma ferramenta e colocá-la para funcionar. O desafio começa quando essas soluções se multiplicam sem coordenação.

Em pouco tempo, diferentes áreas podem criar automações semelhantes, adotar padrões próprios e concentrar conhecimentos em poucas pessoas. O resultado é um ambiente difícil de acompanhar, manter e proteger — mesmo quando cada iniciativa, isoladamente, parece fazer sentido.

Esse cenário é conhecido como automação sem governança. Sem critérios claros, documentação, responsáveis definidos e mecanismos de monitoramento, os ganhos de curto prazo podem dar lugar a retrabalho, falhas operacionais, riscos de segurança e aumento da dívida técnica.

Neste artigo, você vai entender por que a governança é essencial para sustentar o crescimento das automações e quais práticas ajudam a organizar esse ecossistema: definição de responsabilidades, padronização, priorização de iniciativas e acompanhamento de indicadores.

 

O que é governança em automação?

Governança em automação é o conjunto de práticas, políticas e regras que orientam como as automações são planejadas, desenvolvidas, publicadas, monitoradas e mantidas dentro de uma organização.

Em outras palavras, a governança garante que a automação aconteça de forma organizada, alinhada aos objetivos do negócio e seguindo padrões técnicos e de segurança.

Sem esse direcionamento, cada área tende a desenvolver soluções da maneira que considera mais conveniente. Embora isso possa gerar resultados rápidos no curto prazo, a empresa passa a conviver com um ambiente cada vez mais complexo.

 

 

Imagine uma empresa onde o setor financeiro cria uma automação para emissão de relatórios, enquanto a área comercial desenvolve outra solução muito parecida utilizando uma ferramenta diferente. Pouco tempo depois, o time de operações cria um terceiro processo para executar praticamente a mesma atividade.

Além do desperdício de tempo e investimento, ninguém sabe exatamente qual automação deve ser utilizada ou quem é responsável por cada uma delas.

A governança existe justamente para evitar esse tipo de situação.

 

Por que a falta de governança representa um risco?

É comum encontrar empresas que iniciam suas jornadas de automação com poucos processos. Nesse cenário, o controle costuma ser simples.

O problema aparece quando a quantidade de automações cresce.

Sem uma estratégia bem definida, começam a surgir dificuldades como:

  • Processos duplicados.
  • Ausência de documentação.
  • Automações que dependem apenas de um desenvolvedor.
  • Falta de controle sobre acessos e permissões.
  • Dificuldade para identificar erros.
  • Baixa visibilidade dos resultados.
  • Custos maiores de manutenção.

Outro impacto importante é o aumento da dívida técnica. Soluções criadas rapidamente, sem seguir padrões, tornam futuras melhorias muito mais complexas.

Esse cenário também é observado em pesquisas de mercado. De acordo com o relatório da Deloitte¹, organizações que estabelecem modelos de governança para suas iniciativas de automação conseguem ampliar os benefícios obtidos e reduzir dificuldades relacionadas à escalabilidade, manutenção e gestão dos processos automatizados.

Em muitos casos, atualizar uma automação antiga custa mais do que desenvolver uma nova.

Além disso, empresas que atuam em mercados regulados precisam atender normas relacionadas à segurança da informação, proteção de dados e auditorias. Sem governança, atender essas exigências se torna muito mais difícil.

 

Papéis e responsabilidades bem definidos fazem toda a diferença

Um dos principais elementos da governança é deixar claro quem faz o quê.

Quando essa definição não existe, atividades importantes acabam sendo esquecidas ou executadas por pessoas diferentes ao mesmo tempo.

Embora cada organização tenha sua própria estrutura, alguns papéis costumam aparecer com frequência.

  • Dono do processo: conhece o processo de negócio, identifica oportunidades de melhoria, valida os resultados e acompanha os benefícios obtidos.
  • Equipe técnica: desenvolve as automações seguindo os padrões definidos pela empresa, realiza testes, documentação e manutenção.
  • Equipe de governança: define políticas, estabelece padrões, acompanha indicadores, realiza auditorias e garante que todas as automações estejam em conformidade.
  • Usuários finais: utilizam as soluções diariamente e fornecem feedback para melhorias contínuas.

Quando todos conhecem suas responsabilidades, a comunicação melhora e o risco de falhas diminui significativamente.

 

Padrões mínimos para um ambiente organizado

Toda iniciativa de automação precisa seguir um conjunto mínimo de padrões.

Esses padrões não existem para dificultar o trabalho das equipes, mas para garantir qualidade, segurança e facilidade de manutenção.

Entre os principais padrões estão:

  • Padronização dos nomes das automações.
  • Documentação funcional e técnica.
  • Controle de versões.
  • Registro de alterações.
  • Processo formal de testes.
  • Aprovação antes da publicação em produção.
  • Controle de acessos.
  • Plano de contingência em caso de falhas.
  • Inventário atualizado de todas as automações.

Essas práticas facilitam o trabalho das equipes e reduzem o tempo necessário para identificar problemas ou realizar melhorias.

 

Como priorizar as automações

Nem todo processo precisa ser automatizado imediatamente. Um erro bastante comum é escolher projetos apenas porque parecem interessantes do ponto de vista tecnológico. A melhor abordagem é definir critérios objetivos de priorização.

Alguns fatores podem ser considerados:

  • Impacto no negócio: quanto valor aquela automação gera para a empresa?
  • Volume de execução: processos repetitivos costumam apresentar maior potencial de retorno.
  • Tempo economizado: quanto tempo será reduzido após a automação?
  • Redução de erros: processos manuais estão sujeitos a falhas humanas.
  • Automatizá-los pode aumentar significativamente a qualidade das entregas.
  • Complexidade técnica: nem sempre vale investir meses em uma automação que trará pouco benefício.
  • Retorno sobre o investimento (ROI): o custo do projeto faz sentido diante dos benefícios esperados?

Ao utilizar critérios claros, a empresa consegue direcionar seus investimentos para iniciativas que realmente geram valor.

Essa preocupação também aparece em estudos da McKinsey & Company², que destacam que iniciativas de automação geram melhores resultados quando são priorizadas com base no impacto para o negócio e no retorno esperado, em vez de serem escolhidas apenas pela facilidade técnica de implementação.

 

Métricas que ajudam a acompanhar a evolução

Não basta criar automações. Também é necessário medir seus resultados. Sem indicadores, fica difícil entender se os objetivos estão sendo alcançados.

Algumas métricas bastante utilizadas incluem:

  • Quantidade de processos automatizados.
  • Horas economizadas mensalmente.
  • Redução de erros operacionais.
  • Tempo médio de execução dos processos.
  • Disponibilidade das automações.
  • Número de incidentes registrados.
  • Economia financeira gerada.
  • Tempo médio para resolução de falhas.
  • Satisfação dos usuários.

Esses indicadores permitem identificar oportunidades de melhoria e demonstrar o valor da automação para toda a organização.

 

A importância da visibilidade contínua

Outro ponto essencial da governança é garantir que todas as automações possam ser acompanhadas em tempo real.

A visibilidade contínua permite identificar falhas rapidamente, acompanhar indicadores e tomar decisões baseadas em dados.

Dashboards, relatórios gerenciais e ferramentas de monitoramento ajudam a responder perguntas importantes como:

  • Quais automações estão funcionando normalmente?
  • Existem processos com falhas recorrentes?
  • Qual área utiliza mais automações?
  • Quanto tempo está sendo economizado?
  • Existem gargalos que precisam ser corrigidos?

Quanto maior a transparência sobre o ambiente, mais fácil se torna sua evolução.

 

Um exemplo prático

Imagine uma empresa que automatizou diversos processos ao longo de cinco anos.

Cada departamento utilizou uma ferramenta diferente, adotou nomenclaturas próprias e documentou apenas parte das soluções.

Quando um colaborador responsável por várias automações deixou a empresa, ninguém conseguia entender como determinados processos funcionavam.

Pequenas alterações passaram a levar dias para serem implementadas e alguns fluxos simplesmente deixaram de funcionar após atualizações nos sistemas corporativos.

Após implantar uma estrutura de governança, a empresa criou um catálogo único de automações, definiu responsáveis, padronizou documentações, implementou monitoramento centralizado e estabeleceu um processo formal para novas iniciativas.

O resultado foi uma redução significativa no tempo de manutenção, maior confiabilidade das automações e melhor aproveitamento dos investimentos realizados.

 

Conclusão

Automação não significa apenas substituir atividades manuais por processos digitais. Ela precisa crescer de forma organizada para continuar entregando resultados ao longo do tempo.

A governança oferece justamente essa base. Ela define responsabilidades, estabelece padrões, orienta prioridades, acompanha indicadores e garante visibilidade sobre todo o ambiente.

Empresas que investem apenas em tecnologia podem até obter ganhos rápidos, mas correm o risco de construir um cenário difícil de manter e evoluir. Já organizações que combinam automação com uma boa estrutura de governança conseguem escalar seus processos de forma segura, eficiente e sustentável.

Mais do que investir em ferramentas, as empresas precisam estruturar uma estratégia consistente de governança. Diversos estudos de mercado mostram que iniciativas de automação alcançam resultados mais sustentáveis quando estão alinhadas a processos bem definidos, indicadores de desempenho e uma gestão contínua das soluções implementadas.

Conheça a Jornada de Automação Inteligente da DBC para garantir que essa transformação na sua empresa ocorra de forma ordenada e que gere valor e resultados reais para seu negócio!

 

Referências

¹DELOITTE. Global Intelligent Automation Survey. Deloitte Insights, 2022. https://www.deloitte.com/us/en/insights/topics/talent/intelligent-automation2022-survey-results.html

²MCKINSEY & COMPANY. The imperative to automate business processes. McKinsey Operations, 2018. https://www.mckinsey.com.br/capabilities/operations/our-insights/theautomation-imperative/pt-br